sábado, 4 de outubro de 2008

Somos os melhores alunos do mundo!

Na minha infância era costume ouvir dos mais velhos que no tempo deles é que era. No tempo deles, a escola era uma coisa séria, onde se aprendia. No tempo deles, sabia-se mais na 4.ª classe do que no meu 9.º ano. Eles tinham que saber o nome dos rios, das principais vias de caminho de ferro, das serras… E, para me tentar humilhar ainda mais, lá começavam eles a enumerar as coisas, numa lengalenga que fazia inveja.
Passados estes anos, vejo que as coisas evoluíram, e muito. Ou seja, vejo que, finalmente, o nosso país encontrou o rumo certo e a fórmula correcta para o sucesso do nosso ensino. Hoje, perante os números que o Ministério da Educação apresentou recentemente sobre o sucesso escolar, eu nunca me iria atrever a desafiar um aluno sobre qualquer tipo de matéria, sob pena de sair humilhado.
Olhando atentamente para as últimas notícias, receio mesmo que países, como os Estados Unidos, Alemanha, ou mesmo a China, fiquem com inveja de Portugal e tentem “raptar”, através dos seus serviços secretos, o nosso Primeiro Ministro ou a ministra da Educação.
Porquê? Simplesmente porque, ao fim de tantos anos, este Governo descobriu a fórmula que tantos outros desejaram e nunca encontraram. Ao fim de tantos anos, Portugal não só conseguiu diminuir o número de “chumbos” nas escolas, como também conseguiu ser o um dos países que menos investe nos seus alunos. Isto sim! Isto é que é uma verdadeira proeza nunca dantes alcançada. Finalmente, podemos gritar bem alto, não só na União Europeia, como no mundo inteiro que temos alunos inteligentes, que desconhecem o significado de “insucesso”, sem que para tal seja necessário investir rios de dinheiro. Até na matemática somos bons! Que orgulho! No meu tempo, as provas de aferição eram popularmente conhecidas por provas de aflição. Hoje, graças a este Governo, não há aluno que tenha medo de exames. No fim, de peito feito, até dizem na televisão: “foi tão fácil”!

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