terça-feira, 24 de novembro de 2009

Eles que se arredem, ou então…

Há dias ficámos todos a saber que o TGV, no trajecto entre Braga e Valença, vai levar à sua frente, sem dó nem piedade, uma série de construções. Segundo o Estudo de Impacte Ambiental das propostas para o traçado que se encontra em discussão pública, e que o Diário do Minho divulgou no passado dia 16 de Novembro, ao todo podem estar em causa 164 habitações e uma dúzia de pequenas empresas.
Contudo, sem menosprezar aqueles que estão em risco de ficar sem a casa que construíram sabe-se lá com que sacrifícios a troco do progresso e de indemnizações provavelmente mal pagas, o meu olhar pretende ser um pouco mais incisivo.
Ainda segundo o trabalho elaborado por Joaquim Fernandes, o Estudo de Impacte Ambiental identifica um conjunto de 14 impactes directos sobre o património monumental e cultural. Os casos mais preocupantes, acrescenta, são três sítios arqueológicos, dois conjuntos com interesse etnográfico e nove monumentos construídos, entre eles, igrejas, capelas e solares.
Outro caso que também se ficou a saber há umas semanas atrás diz respeito aos acessos ao novo hospital de Braga. Segundo consta, aquela estrada vai passar a rasar… pronto estou a exagerar,… vai passar muito perto das Sete Fontes.
Ora, perante estes exemplos não posso deixar de ampliar aqui uma frase que o meu amigo, e colega de trabalho, Francisco de Assis me disse numa conversa informal que tivemos. A bem do apregoado progresso, eles, leia-se monumentos, que se arredem. Estamos a falar de um património construído há séculos, que engloba testemunhos de um passado preservado até aos nossos dias e que um qualquer TGV pretende agora engolir em poucos dias.
Quem hoje apresenta uma mentalidade de tamanho facilitismo em relação ao património, ou seja, se incomoda, deite-se abaixo, é muito provável que daqui a alguns dias venha por aí fora defender a eutanásia. Mas, o que me preocupa mesmo é que, perante esta ideia do “eles que se arredem, ou então vão abaixo”, não haja reacções. As pessoas só irão despertar quando ouvirem o apito do TGV e constatarem que acordaram no meio da linha.

2 comentários:

Maninha disse...

infelizmente, a destruição do nosso património (histórico, natural, etc) não parece afligir quem nos governa. nos açores, daqui a dias não há verde, tal é a sede de construir, e vejo que pelos teus lados o problema é semelhante. escrever sobre isso é uma forma de manifestar o nosso desagrado, mas a verdade é que não se pode fazer muito para além de protestar.

José Carlos Ferreira disse...

Maninha, se todos se juntarem para dizer basta, acho que conseguiremos alguma coisa. Não nos podemos manifestar e içar bandeiras negras apenas no dia da inauguração. Aí será tarde. É preciso despertar consciências... Vejo que estão a assassinar a cor que dá nome à "nossa" ilha. Aqui, o Minho também é conhecido pelo verde e também o querem destruir. Um beijo grande e obrigado pelo teu comentário... é sempre bom ver-te aqui.