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sexta-feira, 9 de abril de 2010

Dêem-lhes mais autoridade!

Uma das memórias que retenho dos meus tempos de escola foi o dia em que um professor me pôs na rua pelo facto de eu ter dado um beijo na face à minha colega de carteira. “Não admito essa falta de respeito”, disse ele com autoridade, mandando-me, de seguida, sair da sala, com falta. Nem sequer ousei protestar, pois sabia que qualquer coisa que eu dissesse podia levar o professor a agravar a sanção, ou seja, a dar-me a famosa “falta a vermelho”. Uma falta disciplinar que dava direito a uma comunicação para os pais.
Alguém acredita que isso seria possível hoje? Pois a resposta é claramente um não. Hoje, o professor já não tem autoridade na sala de aula. Em nome das famosas boas práticas pedagógicas, retirou-se a autoridade do professor, levando a que os alunos possam fazer o que lhes dá na real gana dentro da sala de aula. Os vídeos que vão sendo colocados na internet demonstram-no bem. Os alunos, que reclamam mais e melhores direitos no seu estatuto, esquecem-se que também têm deveres. Dá-lhes prazer e estatuto gozar com os professores e vangloriarem-se desses feitos. Aos docentes, por sua vez, nada mais lhes resta do que deixarem que os abusos ocorram. Pois, caso tenham a infelicidade de mandar um grito mais forte para se impor, ou então, colocar alguém de castigo, arriscam-se a que o aluno fique profundamente chateado e vá fazer queixinhas aos pais. Estes, por sua vez, também não gostam e depois vão manifestar-se às portas da escola exigindo a expulsão do professor, insultando-o do piorio, de preferência, com as televisões presentes.
É engraçado ver o Ministério da Educação a tentar resolver estes problemas. A solução mais comum é a criação de uma comissão. Depois, surgem umas directivas superficiais que, umas vezes atenuam os problemas, outras agravam-nas. Confesso que não sou nenhum especialista em pedagogia. Não domino as grande teorias sobre as técnicas pedagógicas a levar a cabo dentro de uma sala de aulas. Mas há uma coisa que eu vejo. O professor está sem autoridade. E todos gozam com ele. Que tal voltar a dar-lhe os instrumentos necessários que lhe permita impor o respeito, não só na sala de aulas, como em toda a escola? Parece simples e talvez assim se resolvam alguns problemas que se verificam hoje nos estabelecimentos de ensino… não sei,… digo eu.

sábado, 6 de junho de 2009

O carteiro de Sócrates

No passado fim-de-semana, mais concretamente no sábado, Portugal assistiu a mais uma manifestação de professores em Lisboa. Desta vez, foram perto de 80 mil, garantem os sindicatos.
Antes de tecer qualquer consideração, gostaria de agradecer aqui publicamente ao Ministério da Educação, e muito especialmente à senhora ministra, por insistir nas suas políticas e não recuar nem um milímetro nas suas ideias. Sabe, é que num país que está concentrado numa campanha eleitoral, onde os candidatos estão mais interessados em lavar roupa suja do que discutir ideias sobre o que pretendem para o futuro da Europa, as notícias sobre as políticas educativas são uma lufada de ar fresco e dão outra animosidade e colorido na comunicação social.
Mas, voltando à manifestação, permitam-me os senhores professores que lhes diga que me parece que a vossa luta, tal como está a ser levada a cabo, já deu o que tinha a dar. Já pensaram que a senhora ministra não ficou minimamente incomodada com o facto de, por duas vezes, 120 mil professores terem estado na rua a solicitarem-lhe simpaticamente que se retire e se dedique a outra coisa na vida? Ou seja, manifestações de rua são como limpar o rabinho a bebés para Maria de Lurdes Rodrigues. Se bem que limpar o rabinho a bebés também tem a sua ciência.
Parece-me que os professores perderam, recentemente, uma oportunidade de ouro para fazer, pelo menos, a ministra parar e pensar. Acredito que “outro galo cantaria” se tivessem feito greve às provas de aferição dos 4.º e 6.º anos. São exames que não contam em termos de nota para os alunos, por isso, não fazê-los, não prejudicava ninguém. Iria, isso sim, ferir o orgulho de quem se quer vangloriar dos bons resultados previsíveis, de tão fáceis que eram as provas. Agora está prevista uma nova acção dos professores contra o modelo de gestão nas escolas. Vão enviar postais. Começo a pensar… coitado do carteiro de Sócrates.