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segunda-feira, 7 de junho de 2010

Eu não posso ser patriótico

Os portugueses foram este fim-de-semana convidados pelo Presidente da República a fazerem férias “cá dentro” pois, perante a grave crise económica em que vivemos, esta «é também uma atitude patriótica».
Ainda segundo Cavaco Silva «aqueles que podem passar férias devem fazê-lo cá dentro para ajudar Portugal a vencer as dificuldades actuais, pois passar férias cá é criar emprego, combater o desemprego e ajudar a melhoria das condições de vida dos portugueses».
Ora, isto até pode ser verdade se partirmos do princípio que ainda há gente que pode fazer férias em Portugal, tendo em conta os números do desemprego no nosso país.
Por outro lado, se olharmos para os salários da grande maioria daqueles que trabalham depreendemos que só lhes restam duas soluções. Ou passam férias em casa, ou então, arranjam coisitas baratas numa das praias mais perto da área de residência, porque ir para o Algarve, por exemplo, está “pela hora da morte”. Sim, que esta coisa de preço de férias razoáveis é só para estrangeiros.
Mas esta coisa do turismo em Portugal tem outros pormenores que nos deixam, no mínimo, confusos. Por exemplo, eu ainda não percebi porque é que ir a Paris de avião, ou a Londres, fica muito, mas mesmo muito, mais barato do que ir aos Açores ou à Madeira.
Para muitos dos destinos europeus, hoje os passageiros têm a possibilidade de recorrer aos voos “low cost”. Para as nossa regiões autónomas somos obrigados a desembolsar belas maquias, que nos levam a pensar que o senhor Presidente da República pode não saber muito bem quanto poderá custar uma deslocação, com estadia numa “pensãozita” barata, a S. Miguel, para passar uma semana.
Aliás, aos responsáveis pelo turismo tenho sempre ouvido dizer que deveríamos olhar para o que os nossos vizinhos espanhóis fazem. É verdade. Eles têm preços razoáveis e para todo o tipo de carteiras; tem uma atenção e um carinho especial para quem os visita e, sobretudo, não estão dispostos a “esfolar-nos” apenas de uma só vez. Por tudo isto, acho que não vou ser patriótico.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

O reguila que fala portunhol

As crianças sabem perfeitamente que, quando há visitas em casa, podem ser um pouco mais atrevidas do que o habitual. Ou seja, têm consciência que os pais não lhes ralham tão facilmente quando estão presentes pessoas estranhas ao estrito ambiente familiar.
E, vai daí, toca a abusar um bocadinho. Mexem onde sabem que não podem mexer. Abrem as gavetas que habitualmente não costumam abrir. E dizem aquilo que não costumam dizer.
Ora, isto faz-me lembrar o actual Governo que, tal como um puto reguila, aproveitou a presença de visitas em casa para fazer das suas. Assim, sem mais nem menos, quando o país estava preocupado em bem receber o Papa Bento XVI, anunciou ao país distraído, ou melhor, empenhado, o aumento de impostos.
Sinceramente, eu acho que os portugueses ainda não perceberam muito bem o que se está a passar. E só irão perceber quando começarem a olhar para a carteira a partir do próximo mês de Julho.
Aliás, eu devo dizer que segui com muita atenção a comunicação do Presidente da República ao país e fico com a sensação que o principal do seu discurso também passou ao lado de uma boa parte das pessoas. Mais do que justificar a promulgação do casamento entre pessoas do mesmo sexo, Cavaco Silva disse claramente aos portugueses que a situação de Portugal é dramática. «Importa, no entanto, ponderar os efeitos práticos de uma tal decisão e ter em devida conta o superior interesse nacional, face à dramática situação em que o País se encontra», disse o Presidente da República, se bem me lembro.
Pois bem, perante isto tudo, fico com a estranha sensação que o Governo nos quer iludir e enganar a todos. Se temos o Presidente da República a dizer que a situação é dramática e o primeiro ministro a garantir, em Ponte da Barca, que estamos no caminho da retoma, eu pergunto, em que é que ficamos? Aliás, José Sócrates já começou a falar em cerimónias oficiais o seu “portunhol” que, tenho quase a certeza, será a breve prazo a sua língua oficial. Isto, provavelmente, a bem da nação, para que ninguém perceba a situação dramática que vivemos.