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domingo, 12 de dezembro de 2010

Pisco-te o Olho - Braga





É engraçado verificar que no Salão Nobre da Câmara de Braga os grandes monumentos retratados são aqueles que foram demolidos. Tudo entre o século XVIII e o século XIX. Será que está na genética dos políticos bracarenses, este amor pelo património?

Fotos: José Carlos Ferreira

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Eles que se arredem, ou então…

Há dias ficámos todos a saber que o TGV, no trajecto entre Braga e Valença, vai levar à sua frente, sem dó nem piedade, uma série de construções. Segundo o Estudo de Impacte Ambiental das propostas para o traçado que se encontra em discussão pública, e que o Diário do Minho divulgou no passado dia 16 de Novembro, ao todo podem estar em causa 164 habitações e uma dúzia de pequenas empresas.
Contudo, sem menosprezar aqueles que estão em risco de ficar sem a casa que construíram sabe-se lá com que sacrifícios a troco do progresso e de indemnizações provavelmente mal pagas, o meu olhar pretende ser um pouco mais incisivo.
Ainda segundo o trabalho elaborado por Joaquim Fernandes, o Estudo de Impacte Ambiental identifica um conjunto de 14 impactes directos sobre o património monumental e cultural. Os casos mais preocupantes, acrescenta, são três sítios arqueológicos, dois conjuntos com interesse etnográfico e nove monumentos construídos, entre eles, igrejas, capelas e solares.
Outro caso que também se ficou a saber há umas semanas atrás diz respeito aos acessos ao novo hospital de Braga. Segundo consta, aquela estrada vai passar a rasar… pronto estou a exagerar,… vai passar muito perto das Sete Fontes.
Ora, perante estes exemplos não posso deixar de ampliar aqui uma frase que o meu amigo, e colega de trabalho, Francisco de Assis me disse numa conversa informal que tivemos. A bem do apregoado progresso, eles, leia-se monumentos, que se arredem. Estamos a falar de um património construído há séculos, que engloba testemunhos de um passado preservado até aos nossos dias e que um qualquer TGV pretende agora engolir em poucos dias.
Quem hoje apresenta uma mentalidade de tamanho facilitismo em relação ao património, ou seja, se incomoda, deite-se abaixo, é muito provável que daqui a alguns dias venha por aí fora defender a eutanásia. Mas, o que me preocupa mesmo é que, perante esta ideia do “eles que se arredem, ou então vão abaixo”, não haja reacções. As pessoas só irão despertar quando ouvirem o apito do TGV e constatarem que acordaram no meio da linha.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Pisco-te o Olho - Évora



Na sequência do último texto de opinião que escrevi para o Diário do Minho e que também publiquei aqui, permitam-me que desabafe apenas uma coisinha... eu acho que o nosso património está a ficar sem plateias... Cada vez mais ouço por aí gente a vangloriar-se de ter ido, por exemplo, a Cancun... Não oiço ninguém a falar das belezas do nosso património... Se calhar ando distraído... como eu gostaria de andar distraído...

Foto: José Carlos Ferreira