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domingo, 5 de setembro de 2010

O “circo mediático” não acabou

O país ficou suspenso na passada sexta-feira à espera das decisões do Tribunal relativamente ao processo da Casa Pia, em Lisboa, depois de praticamente seis anos de audiências.
As televisões e as rádios fizeram directos, os jornais de âmbito nacional prometiam, e cumpriam, actualizações sempre que tal se justificasse.
Tenho para mim que mais de meio Portugal estava curioso em saber se o arguido mais mediático deste processo seria, ou não, condenado. Provavelmente, muitos também estariam curiosos em saber o número de anos de prisão efectiva que o colectivo de juízes, quase de certeza, teria reservado para o arguido Carlos Silvino. O resto pouco importava.
O “circo mediático” começou a ser montado na quinta-feira e teve o seu auge na sexta-feira. Tudo em nome do dever de informar sobre as conclusões do já classificado “julgamento do século”.
Num dos telejornais ouvi uma das arguidas neste processo a dizer aos microfones que odiava os jornalistas. Como jornalista, até a compreendo. Hoje, em nome do sensacionalismo, da conquista de audiências, vale tudo. Até tentar arrancar palavras de quem não quer simplesmente falar.
Pois, quem pensar que tudo acabou, está redondamente enganado. E sinal disso mesmo é o cúmulo de um dos arguidos ter convocado uma conferência de imprensa para depois da leitura da sentença. Pois, se a moda pega, isto vai ser bonito. Já imagino os jornalistas a saírem a correr de um tribunal para se dirigirem a uma qualquer unidade hoteleira, onde um condenado pretende explicar o seu ponto de vista relativamente à justiça portuguesa. Mais… promoveram-se logo a seguir debates em meios de comunicação social com a participação dos intervenientes no processo que mais pareciam mini-julgamentos.
Nesta maratona informativa ouvi, a determinado momento da boca de um advogado que, com os recursos, que podem ir até ao Tribunal Constitucional, este é um processo longe de ter acabado. Assim, na melhor das hipóteses, ainda teremos uns 15 a 20 anos pela frente. Durante os próximos anos, podemos já imaginar, os arguidos agora condenados, vão continuar à solta, a dar entrevistas e talvez à espera de uma imprecisão processual qualquer que permita a nulidade do processo.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Acabou

Chegou ao fim um ciclo de eleições que deixou o país enfeitado e em festa durante vários meses como se não houvesse crise. Foram cartazes, foram sacos, foram panfletos… enfim, um sem número de artigos multicolores partidários que durante muitos meses andaram a ser distribuídos pelas populações.
Primeiro foram as europeias, depois vieram as legislativas e, por fim, foram as autárquicas. Cada um destes momentos teve os seus candidatos, cujos cartazes nos vigiaram desde o mês de Junho até agora.
Para nós, jornalistas, também chegou ao fim um período fértil em contactos. Um período onde, ao contrário do que acontece no resto do tempo, é fácil chegar aos políticos, é fácil falar com eles, é fácil obter declarações. Aliás, alguns até ficam mesmo chateados por não verem as suas notícias a serem veiculadas nos órgãos de comunicação social. Há mesmo quem ande de régua na mão a medir as notícias para depois protestar… “eh pá, a minha é mais pequena que a tua”.
Tudo isto acabou. Vamos voltar aos tempos em que, para falar com aquele eleito, que até nos deu o seu número de telemóvel descartável durante a campanha, temos de passar por 25 secretárias e outros tantos assessores que, gentilmente, nos vão dizendo… “o senhor doutor está em reunião”. E, finalmente, quando chega as 12h30, hora a que nos disseram que a reunião deveria acabar, e depois de passar pelo mesmo calvário de secretárias e assessores, chega a famosa resposta: “Que azar… a reunião acabou há um quarto de hora e o senhor doutor acabou agora mesmo de sair para almoçar e já não deve voltar porque vai visitar umas obras”.
É assim, acabaram-se as facilidades. Já agora, também gostava que se acabassem com os cartazes que estão nas ruas e que, aposto, vão chegar ao Natal carcomidos pela chuva e pelo sol do Verão de S. Martinho. Se não for pedir muito, limpem Portugal das campanhas eleitorais. Sabem? Acabou.