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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Estou calmo e sereno…

Correspondendo ao repto e ao desejo do senhor Presidente da República, posso garantir ao país que estou calmo e sereno. Mas, há coisas que se estão a passar que me deixam completamente chateado.
Não me refiro directamente à Lei das Finanças Regionais. Essa foi mais uma birra das várias a que o Governo nos tem habituado.
O que me chateia verdadeiramente são os dez milhões de euros que o Governo atribuiu à Comissão para as Comemorações do Centenário da República. Quer dizer, para umas coisas, o país está mal, é preciso congelar salários, algumas obras não podem ir para a frente e não se pode dar mais 50 milhões à Madeira para corrigir uma injustiça do tempo de Guterres. Mas para outras, é o verdadeiro regabofe.
Na abertura oficial das comemorações ouvi o presidente da comissão dizer que vamos ter ao longo deste ano cerca de 500 eventos para celebrar o centenário da República. Se fizermos uma divisão linear dos dez milhões de euros pelos 500 eventos, chegamos à conclusão que cada um custa cerca de 200 mil euros.
Eu não sei que tipo de eventos vão ser. Para já só ouvi falar numas exposições. A custarem 200 mil euros, devem ser muito interessantes, isto tendo em conta que há por aí uns museus que apresentam ao público mostras de grande interesse e que são muito mais baratas.
Ora, em tempo de crise, não se pode, na minha opinião, dar mostras à União Europeia que somos uns foliões, onde, se é para festejar, não falta dinheiro.
Devia haver mais exemplos no país como a tomada de atitude da Câmara da Vidigueira. O presidente decidiu reduzir o seu salário e o dos seus vereadores, aumentando em 80 euros os salários mais baixos dos trabalhadores da autarquia. O senhor presidente da Câmara da Vidigueira ainda desafiou os seus colegas, os membros do Governo, os deputados e o Presidente da República a seguirem-lhe o exemplo, mas… assobiaram todos para o lado… É claro que eu estou calmo e sereno, mas bastante chateado…

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Até parece que a crise acabou

Todos sabemos que o mundo passa por uma crise profunda que, por muito que nos queiram fazer crer que já se vê a luz ao fundo túnel, tarda mesmo em ser ultrapassada.
Dizem-nos que os sinais de retoma económica já se fazem sentir. Esses sinais são ténues, afirmam-nos os políticos, mas os mercados já começam a reagir positivamente.
Por outro lado, temos economistas, pensamos nós que mais cépticos, que nos vão avisando que a crise está ainda para durar e que 2010 será um ano em que as melhorias dos mercados não se vão notar. A esses, os políticos vão chamando profetas da desgraça, velhos do Restelo e outros nomes mais pomposos, na tentativa de nos mostrar que, afinal, a razão está do lado dos optimistas.
Mesmo fazendo discursos muito bonitos, alguns dos quais anunciam mesmo, com pompa e circunstância, que a crise já acabou e que a partir de agora é sempre a melhorar, a prática dos políticos acaba por nos mostrar que, provavelmente, os economistas é que estão certos.
Mais uma vez tem se ouvido falar em congelamento de salários para os funcionários públicos. De repente, surgem as ameaças que se Orçamento de Estado não for aprovado tal como o Governo o cozinhou, a situação vai ficar pior.
Estes são sinais aos quais os portugueses têm de estar atentos. São sinais que nos obrigam a pensar e a chegar à conclusão que, se calhar, a situação financeira não é aquela que nos querem levar a acreditar através dos discursos oficiais.
Eu sei que se pode gerar a confusão na cabeça de qualquer pessoa com as informações que vão sendo lançadas na opinião pública. Quando se atribuem dez milhões de euros a uma comissão para celebrar o centenário da República, pode-se ser levado a pensar que este é um país a nadar em dinheiro. E, reparem que dez milhões de euros é só para começar. Conhecendo eu este país, como conheço, no final vão fazer-se as contas e vão chegar à conclusão que houve uma derrapagem de mais uns milharzitos, que o Governo prontamente irá disponibilizar. Assim, até parece mesmo que a crise já acabou.