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terça-feira, 13 de julho de 2010

A Golden Shame do Estado

A semana que agora acaba fica marcada pela decisão do Tribunal de Justiça Europeu que considerou ilegal a “golden share” do Estado na PT e que José Sócrates decidiu utilizar impedindo que a Telefónica comprasse a posição da operadora portuguesa na Vivo.
Para o Tribunal, que decidiu lá longe no Luxemburgo, a “golden share” «constitui uma restrição não justificada à livre circulação de capitais».
Acontece que até ao dia da Assembleia de Accionistas, tudo indicava que não ia ser necessária a interferência do Governo. Tudo indicava que a maioria dos accionistas estava disposta a manter a posição da PT na Vivo.
No entanto, como diz o povo, não há nada que o dinheiro não compre. Bastou que a Telefónica acenasse com uns 7,15 mil milhões de euros para que aquilo que era uma posição estratégica nacional passasse a ser um negócio essencial.
Agora eu pergunto, se a oferta da operadora espanhola fosse inferior, como todos esperavam, será que assistiríamos a este silêncio surdo dos accionistas em relação à decisão do Tribunal de Justiça Europeu? Provavelmente, não. Provavelmente, muitos estariam já a lançar impropérios, maldizendo esta Europa que nos vai obrigando a engolir sapos e que, passo a passo, nos começa a governar cada vez mais.
Aliás, começo a acreditar piamente que caminhamos para uma União Europeia cada vez mais federalista, onde os governos nacionais, transformados em autênticos Governos Civis, não terão outra obrigação que aquela que será fazer cumprir as obrigações que sejam emanadas pelas instâncias europeias. Hoje, somos obrigados a ter que engolir que afinal, as “golden shares” que o Estado possui são uma restrição não justificada à livre circulação de capitais.
Temos que engolir que os senhores europeus consideram que estas “golden shares” «atribuem ao Estado português uma influência sobre as tomadas de decisão da empresa susceptível de desencorajar os investimentos por parte de operadores de outros Estados Membros».
No fundo, o que eles não querem dizer e que, daqui para a frente, vamos ter que transformar as “golden shares” do Estado em “golden shames” [shame é vergonha em inglês] por querer defender os interesses superiores da nação.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Maldita oposição!

Na semana que passou veio a público que o primeiro-ministro Putin ficou escandalizado com o preço dos bens essenciais no seu país.
Segundo o que chegou até nós, Putin foi dar um passeio e decidiu entrar num supermercado para fazer umas comprinhas. Vai daí, começou a constatar que os preços dos produtos eram demasiado elevados para o salário médio dos russos. Dizem ainda as crónicas que Putin ficou tão escandalizado que uma das primeiras coisas que fez depois de sair do supermercado foi ordenar à sua administração que revisse os preços.
Ora, este é um exemplo que todos os governantes deveriam seguir. E, regozijo-me por ver que Portugal, mais uma vez, está na vanguarda dos países que tentam imitar os mais civilizados e mais evoluídos.
Poucas horas depois de ter sido divulgada a notícia russa, os portugueses também ficaram a saber de um negócio em que a PT se preparava para comprar uma confortável posição da empresa que detém a TVI. Na PT, como todos sabem, o Governo usufrui de uma posição dourada e privilegiada. Todos sabem também o sentimento que José Sócrates nutre pela televisão de José Eduardo Moniz. O problema nisto tudo foi a maldita oposição que só vê maldade em tudo. Então não é que eles pensaram que esta era uma tentativa maldosa de fazer calar um canal que tem sido tão venenoso para com o Governo? Felizmente que nós, os portugueses, não somos inocentes e sabemos olhar muito mais longe do que a ponta do nosso nariz. Mas, alguma vez nos passaria pela cabeça que José Sócrates seria tão maquiavélico ao ponto de comprar para conseguir calar?
Ainda bem que temos um Primeiro-ministro que sabe seguir os bons exemplos. Certamente depois de olhar para o que fez Putin, José Sócrates chegou ao seu gabinete e deverá ter ordenado que se desistisse do negócio. Que acto tão nobre e tão honesto. Na linha do que José Sócrates nos tem habituado desde há… uma semana. Maldita oposição que nos privou de ter em Portugal a RTP 3 sem o José Eduardo Moniz e a família. Nunca vos perdoarei.